O McCartismo e a infiltração comunista nos Estados Unidos

McCartismo é a designação da ideologia de perseguição a indivíduos suspeitos de associação ao comunismo nos Estados Unidos que caracterizou o final da década de quarenta e o início da década de cinquenta. O McCartismo decorreu da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética. A Europa Ocidental, as Américas, e a Oceania ficaram ao lado dos Estados Unidos. Com exceção da Itália e da França, todos os países do Ocidente proibiram o funcionamento dos Partidos Comunistas. Onde os Partidos Comunistas foram proibidos, muitos simpatizantes da União Soviética continuaram a agir na clandestinidade.

Em 1947, nos Estados Unidos, a CIA (Central Intelligence Agency) e o Conselho de Segurança Nacional foram criados sob os auspícios da Lei da Segurança Nacional de 1947. O objetivo da CIA era descobrir inteligência (informações) e assegurar a sua validade bem como decidir o nível da segurança nacional em determinado momento. Neste mesmo ano, o Comitê de Atividades Não Americanas do Congresso (House of Un-American Activities Committee – HUAC*), em existência desde 1938, iniciou entrevistas formais a pessoas suspeitas de envolvimento com o comunismo e/ou a União Soviética. Os sindicatos laborais também foram investigados pelas alianças com regimes comunistas. Em resultado dos inflamados discursos anticomunistas do senador Joseph McCarthy (1909-57), de Wisconsin, um clima de desconfiança chegado à paranoia se espalhou pelos Estados Unidos. Muitos dos acusados tiveram suas carreiras arruinadas e eventualmente tiveram que deixar o país, como o dramaturgo Bertold Brecht.

Quando McCarthy denunciou a infiltração comunista no exército americano, o então Presidente Eisenhower percebeu que ele havia ido longe demais. Em 1954 o Congresso americano passou um voto de censura contra McCarthy por ter abusado dos seus privilégios parlamentares. Cinco décadas depois, a disponibilização de arquivos americanos revelou que o Senador McArthur havia sido manipulado pelo então Diretor do FBI, J Edgar Hoover, que lhe passou informações erradas, possivelmente com o objetivo de pressionar parentes, amigos e associados dos verdadeiros suspeitos de espionagem a revelarem qualquer coisa sobre os primeiros; outro motivo cogitado foi o de causar embaraços à CIA. A disponibilização dos arquivos do Kremlina revelou aind que soviéticos fizeram campanhas difamatórias contra McCarthy dentros dos Estados Unidos.

Os erros e os excessos do McCartismo foram amplamente criticados mas poucos críticos sublinharam o caráter altamente subversivo do Partido Comunista Internacional, explícito na missão do Comintern: ‘lutar com todos os meios disponíveis, incluindo a força armada, pela derrubada da burguesia internacional e pela criação de uma República Soviética internacional como um estágio de transição até a abolição completa do Estado’.

A verdade sobre a espionagem soviética e a verdadeira extensão da atuação do Comintern não só nos Estados Unidos mas também na América Latina e noutros países do Ocidente começou a emergir em 1995, quando os transcritos do projeto Verona foram disponibilizados à Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos visando sua transcrição para o alfabeto latino e subsequente tradução para o inglês. A disponibilização dos arquivos do Kremlin já mostrou que milhares de americanos mantiveram ligações o Comintern antes, durante e após a era do McCartismo.

PS. Por iniciativa do democrata Samuel Dickenstein o Comitê de Atividades Não Americanas do Congresso (House of Un-American Activities Committee – HUAC) foi criado em 1938 para investigar os simpatizantes da Alemanha. Com o fim da Segunda Guerra mundial o HUAC ficou sem função por um tempo até a Guerra Fria, quando foi reativado pelo senador Joseph McCarthy. Os excessos cometidos por McCarthy fizeram com que este fosse taxado de fascista, bully e mentiroso. A revisão dos fatos ocorridos na época traz duas correções: (i) comunistas americanos usaram táticas semelhantes contra comunistas da facção Trotskista; (ii) McCarthy não era um nacionalista de direita (right-wing) pois as suas raízes políticas eram fincadas no progressivismo norte-americano. (Fonte: Goldberg, Jonah. Liberal Fascism. The Secret History of the American Left from Mussolini to the Politics of Meaning 2008).


Jo Pires-O’Brien é a editora de PortVitoria: http://www.portvitoria.com – revista eletrônica dedicada às comunidades falantes de português e espanhol de todo o mundo.

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