A rede Comintern-Politburo

A sociedade perfeita projetada por Marx, conquistou corações e mentes em toda a Europa enquanto que o experimento Marxista na Rússia gerou uma expectativa em todo o mundo de que a revolução dos trabalhadores estava prestes a acontecer.

Lênin era líder do Partido Comunista soviético, cujo Politburo havia convocado a Terceira Internacional Comunista, realizada em em 1919 em São Petersburgo, com a participação de representantes de treze países. Como já foi mostrei numa postagem anterior, a Terceira Internacional criou o Comintern a fim de ser o seu braço executivo, responsável pela organização da revolução mundial dos trabalhadores, elegendo Grigory Zinoviev como o seu primeiro presidente. Assim, os dois mandachuvas do movimento internacional revolução dos trabalhadores eram o Comintern, mais o Politburo do Partido Comunista russo.

Diversos países já tinham partidos socialistas antes da criação do Comintern, como a França e a Argentina. Na França, a decisão do partido socialista de se associar ao Comintern foi uma deliberação da reunião realizada em Tours em dezembro de 1920. Entretanto, os partidos comunistas e socialistas sob o guarda-chuva do Comintern, na verdade ficavam sob o Politburo de Moscou. Até o final da década de 1930 a maior parte dos partidos de esquerda de todo o mundo estava sob o guarda-chuva do Comintern e de Moscou.

Nas grandes cidades do Ocidente crescia o número de intelectuais atuantes na promoção do socialismo Marxista. Entretanto, a capital mundial do Marxismo era Paris. Era para lá que convergiam os escritores, poetas, músicos e artistas de todo o mundo que eram simpáticos ao Marxismo. Paris era também um destino frequente dos oficiais do Politburo e do Comintern.

A real extensão da rede mundial do comunismo ligado ao Comintern e ao Politburo soviético entre 1919 e 1943 começou a ser revelada no final da Guerra Fria, quando os arquivos do Kremlin foram disponibilizados à Biblioteca do Congresso, nos Estados Unidos, através de um acordo de cooperação bilateral. Desde então, a Biblioteca do Congresso vem coordenando o projeto INCOMKA, voltado à digitação desses arquivos, por nove instituições participantes as quais contam com a colaboração de indivíduos em todo o mundo. Uma das tarefas mais árduas foi converter nomes de pessoas escritos no alfabeto cirílico para o alfabeto latino. Outra tarefa incluía traduzir trechos principais do arquivo do russo para o inglês. O banco de dados do Incomka já se encontra disponível aos usuários da Biblioteca do Congresso e breve deverá ser disponibilizado através da internet.


Jo Pires-O’Brien é a editora de PortVitoria: www.portvitoria.com – revista eletrônica dedicada às comunidades falantes de português e espanhol de todo o mundo.

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