A Origem do Marxismo na América Latina

A esquerda latina minimizou o choque da desintegração da União Soviética em dezembro de 1991, procurando mostrar que já existia mesmo antes da criação do Comintern (veja o posting relevante: https://jopiresobrien4.wordpress.com/2013/01/19/a-rede-comintern-politburo/)
em março de 1919. De fato, antes desta data já haviam sindicatos laborais bem organizados na América Latina. Entretanto, o forte catolicismo da América Latina havia gerado um socialismo sindical diferente daquele pregado pela União Soviética, sem o cunho revolucionário e anatemático ao ateísmo comunista. No tocante a Partidos Comunistas, apenas a Argentina possuía um organizado e atuante.

O sindicalismo chegou à América Latina logo depois da primeira convenção internacional dos trabalhadores, realizada em Londres em 1864. Antes da mesma o papa Leão XIII, cujo papado se entendeu de 1878 a 1903, já havia percebido que o socialismo era uma ameaça à fé cristã. Entretanto, ao perceber a enorme atração que o socialismo exercia junto à classe trabalhadora, o papa contemporizou sua visão na encíclica Rerum Novarum (Das Coisas Novas) onde advertiu os trabalhadores cristãos a que formassem suas próprias associações e somassem seus esforços para repelir as associações que sejam injustas e intolerantes. Mostrando-se contrário à militância revolucionária, o papa escreveu: “é do interesse da comunidade bem como do indivíduo, que a paz e a boa ordem sejam mantidos; que tudo seja conduzido de acordo com as leis de Deus e as da natureza”. E sobre o direito à propriedade: “O direito de possuir bens privados deriva da natureza, e não do homem; e o Estado tem o direito de controlar o seu uso no interesse apenas do bem público, mas de nenhuma forma absorvê-lo totalmente”.

Quando o Comintern soviético chegou na América Latina ainda em 1919 com o propósito aberto de promover a revolução mundial dos trabalhadores, era natural que encontrasse resistências de fundo religioso. Aliás, em todo o continente americano a resistência inicial contra o socialismo era de fundo religioso, sendo que apenas no final do século vinte o motivo maior passou a ser a falta de liberdade.

A presença do Comintern foi decisiva para a criação dos Partidos Comunistas em toda a América Latina. Cada país ganhou seu escritório central do Partido, denominado Politburo: Cuba em 1920, Brasil e Chile em 1922, Equador em 1926, e Venezuela em 1931, etc. O racha entre Trotsky e Stalin em 1929 fez com que Trotsky lançasse mais tarde uma Quarta Internacional, que embora não tivesse alcançado o sucesso esperado, gerou um racha os Partidos Comunistas de toda a América Latina. A afeição a Trotski deveu-se ao fato do Bolchevista ter fixado residência no México em 1936, onde permaneceu até o seu assassinato em 1940 a mando de Stalin.

O socialismo latino teve uma fase de renascimento logo depois da Revolução Cubana de 1959 que levou Fidel Castro ao poder, quando toda a América Latina foi alvo de uma trama internacional para a implantação do socialismo de estilo soviético em toda a região. Golpes militares pipocaram por todo o continente, todos motivados pela crença patriótica de que eram indispensáveis para de conter a ameaça do socialismo comunista. Lutas armadas foram organizadas para derrubar os regimes militares totalitários e substituí-los por outros regimes igualmente totalitários.

Jo Pires-O’Brien é a editora de PortVitoria: www.portvitoria.com – revista eletrônica dedicada às comunidades falantes de português e espanhol de todo o mundo.

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