A Nova Esquerda

A Nova Esquerda surgiu em 1968 no meio universitário. Um dos seus principais teóricos foi o filósofo alemão Herbert Marcuse (1898-1979), um professor de sociologia da Universidade da Califórnia, em São Diego. A Nova Esquerda foi um produto da conjuntura política do ano de 1968, marcado não só pela impopular Guerra do Vietnã mas também por dois grandes cataclismos sociais: o assassinato de Martin Luther King Junior (1929-1978) e a Primavera de Praga.

Martin Luther King Junior, um pastor da igreja Batista e um dos principais líderes do Movimento por Direitos Civis nos Estados Unidos, havia se notabilizado pelo seu famoso discurso ‘Eu Tenho um Sonho’ (I Have a Dream) durante a Grande Marcha de Washington de 28 de agosto de 1963, que ele havia ajudado a organizar, bem como por ter ganho o Prêmio Nobel da Paz em 1964 Martin Luther King. O seu assassinato, em quatro de abril de 1968, marca o início do processo de câmbio da liderança da Esquerda, dos sindicatos laborais para os estudantes universitários.

Três semanas depois do assassinato de Martin Luther King, os alunos da Universidade de Columbia, no estado de Nova Iorque, colocaram abaixo a cerca em torno da obra de um novo ginásio de esportes, por considerar racista a decisão de colocar apenas uma porta de fundos no lado do ginásio voltado para o bairro negro do Harlem, e começaram a ocupar setores da universidade incluindo a sala do reitor, situada na Baixa Biblioteca. Funcionários da universidade pediram aos estudantes que saíssem, mas como isso não ocorreu, a polícia foi chamada. A ocupação durou diversos dias e os protestos persistiram por diversas semanas.

A primavera de Praga ajudou a completar a passagem da liderança da Esquerda dos sindicatos laborais para as universidades. A Nova Esquerda fez valer seu poder durante as décadas de 1970 e 1980, quando esteve no centro da Guerra das Culturas do meio acadêmico americano. A ideologização da academia levou a uma série de erros de julgamento que fizeram diversas disciplinas das ciências humanas retroceder. Tais erros foram apontados no final da década de 1980 por diversos acadêmicos como Edward Wilson, Steve Pinker e Alan Bloom. A ideologização da academia possivelmente causou outros danos ligados à prática do ‘gate-keeping’ (vigilância da entrada), designação dada ao sistema criado nos Estados Unidos para impedir o ingresso na academia de indivíduos que não faziam parte do clube da Nova Esquerda.

O ano de 1968 ficou marcado pela grande quantidade de demonstrações estudantis que pipocaram em todas as grandes capitais do Ocidente. Embora os estudantes de cada país tivessem as suas próprias listas de descontentamentos, não há dúvidas de que o movimento estudantil de todo o mundo estava conectado. Em Paris, onde a agitação estudantil havia começado em março e se tornado visível no dia 3 de maio, o descontentamento girava em torno do arcaísmo do sistema de ensino superior e com a falta de oportunidades de empregos. Na Itália, o estopim do descontentamento foi o assassinato do ex Primeiro Ministro Aldo Mouro, líder do Partido Democrata Cristão, que havia sido sequestrado no dia 16 de março. Os estudantes e os intelectuais resolveram agir contra o autoritarismo do Estado, uma herança do fascismo. Na Alemanha, o descontentamento também girava em torno do fascismo estatal, mas foi levantado por grupos de jovens conhecidos como a gangue de Baader-Meinhof. Na América Latina também houve protestos estudantis no Chile, Argentina, México e Brasil, que envolveram tanto estudantes de universidades quanto estudantes secundaristas. No Brasil os protestos giravam em torno da repressão política da ditadura militar e da liberação sexual.

A primavera de Praga ajudou a completar a passagem da liderança da Esquerda dos sindicatos laborais para as universidades. A Nova Esquerda fez valer seu poder durante as décadas de 1970 e 1980, quando esteve no centro da Guerra das Culturas do meio acadêmico americano. A ideologização da academia levou a uma série de erros de julgamento que fez diversas disciplinas das ciências humanas retroceder. Tais erros foram apontados no final da década de 1980 por diversos acadêmicos como Edward Wilson, Steve Pinker e Alan Bloom. A ideologização da academia possivelmente causou outros danos ligados à prática do ‘gate-keeping’ (vigilância da entrada), designação dada ao sistema criado nos Estados Unidos para impedir o ingresso na academia de indivíduos que não faziam parte do clube da Nova Esquerda.

Hoje em dia a Nova Esquerda é um anacronismo. Desprezada nos países mais industrializados do Ocidente, a Nova Esquerda encontrou refúgio na América Latina, onde virou um pasticho de ideologias e doutrinas que as lideranças demagógicas têm todo o interesse de preservar.

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Jo Pires-O’Brien é a editora de PortVitoria: www.portvitoria.com – revista eletrônica dedicada às comunidades falantes de português e espanhol de todo o mundo.

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