A idade da desonestidade. O pós-modernismo é errado porque é falso

Joaquina Pires-O’Brien

Modernidade e a pós-modernidade

A modernidade e a pós-modernidade são concepções diferentes do mundo. Enquanto que a modernidade baseia-se no Iluminismo e nos avanços do racionalismo e da ciência, a pós-modernidade baseia-se na ruptura com o Iluminismo e com o rigor do racionalismo e da ciência. Dentro da concepção da modernidade surgiu a escola linguística estruturalista, que ao ser absorvida por outras disciplinas das humanidades e das ciências sociais gerou uma visão geral do mundo baseada no conhecimento e na realidade, a qual passou a ser chamada de estruturalismo.  Dentro do estruturalismo surgiram dissidências, as quais não lograram criar uma visão explícita que merecesse o nome de escola filosófica, mas mesmo assim passou a identificar-se como pós estruturalismo. A abordagens respectivas da modernidade e da pós-modernidade confundem-se com essas, e por essa razão, modernidade e estruturalismo viraram sinônimos, assim como pós-modernidade e pós-estruturalismo.

Pós-modernismo, descontrucionismo e construtivismo

O pós-modernismo é uma ideologia ambígua e difícil de definir, a não ser pelo seu objetivo de destruir a modernidade e substituí-la pela pós-modernidade marxista. O motivo pelo qual o pós-modernismo é ambíguo é esconder a sua falsidade. É por essa mesma razão que Jordan Peterson descreveu o pós-modernismo como sendo o marxismo com pele nova.

A falsidade do pós-modernismo está tanto no seu método de destruir a civilização ocidental moderna, através da destruição de suas metanarrativas como o Iluminismo, a racionalidade, a ciência, etc., quanto no seu método de falsificar realidades. Esses dois métodos são chamados deconstrucionismo e construtivismo. Os seus respectivos alvos são a modernidade e a pós-modernidade.

Desconstrucionismo é o processo de aviltamento das coisas características do modernismo através do ataque às suas metanarrativas, reduzindo-as a sequências arbitrárias de sinais linguísticos ou palavras, e em seguida substituindo significados originais por outros, para finalmente concluir que nenhuma interpretação dessas sequências de palavras é mais correta que outra.

Construtivismo é o processo de criar abstrações – constructos – através da retórica. Embora existam certos constructos que são normalmente aceitos, como por exemplo, Estado, dinheiro, lei, e identidades nacionais, o construtivismo da doutrina do pós-modernismo é radical, irracional e desonesto, pois baseia-se na premissa de que tudo é uma questão de semântica.

O desconstrucionismo começou no meio da intelectualidade francesa marxista, sendo Jacques Derrida (1930-2004) o pai reconhecido desse movimento.  Inicialmente o desconstrucionismo era uma forma de crítica literária, mas ao ser absorvido pelas humanidades e ciências sociais, passou a ter outras aplicações. Derrida acreditava que o pensamento ocidental foi viciado desde a época de Platão por um tumor que ele chamou de ‘logocentrismo’, referindo-se à suposição de que a linguagem descreve o mundo de maneira bastante transparente. Na visão de Derrida, a descrição do mundo através da linguagem é uma ilusão, e a própria linguagem não é imparcial e as palavras nos impedem de realmente experimentar a realidade diretamente. O que Derrida quer, é derrubar a crença em uma realidade externa objetiva que pode ser explorada através da linguagem, da racionalidade e da ciência, e mostrar que a grande narrativa do Iluminismo não passa de um conjunto de delírios. O método de Derrida para destruir a linguagem é a desconstrução – uma técnica que nos faz ver que os ‘significantes’ – as palavras em si no sistema saussureano – são tão ambíguos e mutáveis que podem significar alguma coisa ou nada.

A ideia original do construtivismo antecede a modernidade, mas o primeiro autor contemporâneo a empregá-la foi o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), para descrever o modo como as crianças criam um modelo mental do mundo. Embora os pós-modernos parecem gostar da ligação com Piaget, o construtivismo piageteano é positivo enquanto que o  construtivismo pós-moderno é negativo. O construtivismo piageteano afirma que o conhecimento é algo construído pelo indivíduo com base em suas interações com o mundo físico e o mundo social. O construtivismo dos pós-modernos afirma o conhecimento é algo socialmente construído. A fim de distinguir o construtivismo pósmodernista do construtivismo piageteano o primeiro passou a ser conhecido como construtivismo social ou socioconstrutivismo.

A que veio o pós-modernismo?

O pós-moderismo veio para fazer a revolução marxista por debaixo do pano.  As suas principais armas são o desconstrucionismo, usado para aviltar o racionalismo e a ciência, e o socioconstrutivismo, usado para criar grupos de identidades políticas e lideranças, através de imagens e figuras de retórica. A estratégia do pós-modernismo e criar subliminarmente uma disposição ou mentalidade pós-moderna, ou um Zeitgeist  pós-moderno.

O objetivo do marxismo era criar uma sociedade ideal, mas tal sociedade ideal só podia existir na prancheta, pois a tentativa de implementá-la gerou tiranias genocidas. O pós-modernismo também rejeita a realidade e anseia por uma realidade idealizada.

Na mentalidade pós-moderna, realidade é aquilo que é falado, e o melhor caminho para ser falado é aparecer na mídia. É daí que veio a obsessão com fama e famosos. A mentalidade pós-moderna anseia por identidades fortes pois são um caminho para o poder.  Entretanto, a identidade genuína do indivíduo, aquela baseada nas habilidades cognitivas e na bagagem cultural do indivíduo, nem sempre é forte, e por essa razão foi abandonada. Na mentalidade pós-moderna, a identidade e definida pela ‘persona’ – “uma espécie de máscara, desenhada com o duplo motivo de conferir uma impressão firme junto aos demais, e ocultar a verdadeira natureza do indivíduo,” conforme mostrada pelo psiquiatra suíço Carl Jung.

Consequências ruins do pós-modernismo

No Zeitgeist da pós-modernidade a autenticidade saiu de moda e as pessoas preocupam-se mais com aparência do que com substância.

No Zeitgeist pós-moderno, a perda da genuinidade do indivíduo veio acompanhada da perda da espontaneidade dos processos sociais, e uma das consequências não intencionadas disso é a diminuição da confiança social, que por sua vez leva a dois erros de julgamento: valoriza quem não merece ser valorizado, e deixar de valorizar quem merece. Tais erros de julgamento equivalem a enormes perdas para a sociedade, em termos de capital humano desperdiçado.

O começo do mundo pós-moderno

O começo do mundo pós-moderno pode ser traçado à década de 1960, quando as fronteiras entre alta e baixa cultura foram esfumadas. Isso permitiu a emergência da Pop Art e o seu assentamento como uma forma de poder popular. Um de seus líderes, Andy Warhol (1928-1987), prognosticou que “no futuro, todos serão mundialmente famosos por quinze minutos”.

Um dos alvos importantes do pós-modernismo foi o conceito de identidade nacional, que foi esfumado e largado de lado, e substituído pelas novas tribos formadas por grupos de identidade política. Não contente em destruir a identidade nacional, o pós-modernismo destruiu também a identidade civilizacional da América Latina. Muitos latino-americanos tomam por certo que a América Latina faz parte da Civilização Ocidental, uma vez que todos os seus países foram colonizados por europeus. Poucos latinoamericanos notaram que o cientista político Samuel Huntington (1927-2008) optou por listar a América Latina como uma civilização aparte ao invés de incluí-la na Civilização Ocidental, no seu livro Clash of Civilizations (A colisão das civilizações; 1997). A justificativa de Huntington é de que a América Latina não preencheu os critérios a priori para afiliação ao Ocidente. Em termos de identidade nacional, os países latinoamericanos sofrem de uma neurótica dissonância cognitiva formada pelo desejo simultâneo de pertencer à Civilização Ocidental e às suas respectivas culturas indígenas.

Em todo o lugar onde o pós-modernismo se encontra, a sua entrada ocorreu de forma sorrateira. Na América Latina, alojou-se inicialmente nas universidades, principalmente nas humanidades e ciências sociais, e de lá passou para as organizações não governamentais (ONGs) e para os grupos de identidade política.

O socioconstrutivismo

O socioconstrutivismo passou a ser um fenômeno comum na América Latina a partir da década de 1980, quando heróis e heroínas foram artificialmente criados. O método do  socioconstrutivismo consiste de cinco etapas principais: (i) escolher causas simpáticas como a defesa de florestas, de animais, e de grupos oprimidos; (ii) a cooptar lideranças a partir de bases conhecidas; (iii) aumentar os perfis dessas lideranças, persuadindo jornalistas a publicar matérias sobre as mesmas; (iv) indicar as lideranças escolhidas para participar de organizações de doadores de recursos; e (v) indicar as lideranças escolhidas para prêmios disponíveis e fazer lobby a favor das mesmas junto às instituições premiadoras.

 A escolha da causa requer cuidado e atenção. Por exemplo, no caso de uma ONG ligada à causa dos indígenas, as tribos mais coloridas e que ainda praticam suas danças e cerimônias são mais promissores que aquelas que são menos coloridas e mais aculturadas. Uma vez escolhida a causa, o próximo passo é escolher os indivíduos mais promissores em termos de aparência e maleabilidade para serem promovidos junto à mídia.

As maquinações de bastidores para construir lideranças e para atrair o interesse de jornalistas são aéticas, o que gera o perigo de whistle blowers ou denunciantes, que não aceitam que um objetivo nobre justifica mentiras e meias verdades. Entretanto, o socioconstrutivismo tem uma capa de proteção contra denunciantes, fazendo com que qualquer crítica à administração financeira da ONG ou às suas mentiras e meias verdades sejam percebidas como um ataque vil à própria causa, isto é, ao grupo oprimido, à floresta, ou ao animal carismático, fazendo com que o crítico seja taxado de racista e coisas piores.

Um dos poucos exemplos que chegou a ser noticiado na imprensa internacional foi a história da jovem guatemalteca Rigoberta Menchú, que foi transformada numa heroína de sua tribo e que em 1992 ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Entretanto, quando o antropólogo David Stoll decidiu avaliar o mérito de Menchú, descobriu que a sua narrativa do genocídio do seu povo, no início da década de 1980, no livro autobiográfico I, Rigoberta Menchú (Verso, 1984), estava repleto de inconsistências e até mentiras, e que o mesmo livro, editado com a ajuda de diversas pessoas, tinha uma agenda, de ajudar a guerrilha à qual Menchú havia se juntado em 1981. Stoll publicou os seus achados no livro Rigoberta Menchú and the Story of All Poor Guatemalans (1999), mas a verdade que expôs foi ignorada e ele próprio acabou taxado de inimigo dos indígenas.  O que aconteceu a David Stoll passou a desencorajar qualquer denúncia semelhante. Foi uma evidência da capa de proteção do sociocontrutivismo, análoga à dos vírus.

As pessoas ordinárias, que subentendem aquilo que é conhecido como o público, têm o dever de manter-se atentas ao que acontece a seu redor. A pergunta que devem fazer é “o socioconstrutivsmo é bom para quem?”

i) O socioconstrutivsmo é bom para os indivíduos oprimidos a quem defendem?

O paternalismo do sociocontrutivismo faz com que o indivíduo oprimido continue oprimido, pois tira-lhe as chances de ser ele próprio, e de crescer e amadurecer.

ii) O socioconstrutivsmo é bom para a sociedade?

 Mentiras e meias verdades corroem a confiança dentro da sociedade, gerando uma sociedade de baixa confiança, a qual é extremamente desfavorável ao desenvolvimento econômico.

iii) Quem ganha com o socioconstrutivsmo?

Quem ganha com o socioconstrutivismo são os próprios sócioconstrutivistas, que ganham os ouvidos das autoridades e espaços nos círculos do poder.

Conclusão

O pós-modernismo é o próprio marxismo com outra pele. Os dois empregam a mesma linguagem de ressentimento, raiva e inveja. Enquanto que o marxismo tradicional exaltava a destruição do capitalismo que ocorreria em decorrência da revolução socialista, o pós-modernismo (ou neomarxismo), planejou e fez a sua revolução na surdina. A revolução do pós-modernismo foi um sucesso e a prova disso é que a própria civilização Ocidental é a sua prisioneira. O Zeitgeist pós-moderno onde vivemos pode ser descrito pelo relativismo cultural, o aviltamento da sociedade maior através de sua fragmentação em grupos de identidade políticas, a falta de genuinidade e espontaneidade, e as fabricações. As suas armas mais potentes, o desconstrucionismo e o socioconstrutivismo, servem às suas lideranças, que fingem servir às mais diversas causas sociais. A sociedade como um todo não ganhou nada com o pós-modernismo, mas perdeu muita coisa, desde a genuinidade das pessoas e a própria espontaneidade, até a confiança entre os seus cidadãos.  O pós-modernismo é errado por diversos motivos, mas o principal deles é a falsidade.

Joaquina Pires-O’Brien é brasileira e reside na Inglaterra. Desde 2010 é editora da revista cultural PortVitoria, dedicada à cultura ibérica no mundo, com conteúdo em português, espanhol e inglês. Acessar: www.portvtoria.com

Sobre o livro Rumo à Estação Finlândia (1940) de Edmund Wilson

Jo Pires-O’Brien

O livro Rumo à Estação Finlândia (1940) de Edmund Wilson (1895-1972) é uma das leituras favoritas dos socialistas latino-americanos. Wilson foi um jornalista, periodista, escritor e crítico de sucesso nos Estados Unidos, renomado pela precisão e clareza do seu estilo. Este livro é um interessante apanhado da história do socialismo, incluindo mini-biografias Karl Marx e os seus antecessores, como Vico, Michelet, Fourier, Saint-Simon e LaSale; mostra como Marx e sua doutrina influenciaram Lênin, Trotsky, Stalin (Estaline) e os outros intelectuais que fizeram a Revolução Bolchevista em outubro de 1917.

Wilson foi um dos mais importantes articuladores do progressivismo de esquerda nos Estados Unidos, quase todos os comunistas e seguidores do socialismo soviético. Ele tinha resolvido escrever um livro sobre o novo regime da União Soviética, o livro que ele acabou dando o título de Rumo à Estação Finlândia . Wilson já tinha gasto muitas horas de trabalho no livro acima mencionado, quando tomou ciência das atrocidades do regime de Stalin. Ele decidiu visitar a Rússia para verificar por si próprio, e de lá retornou desencantado em 1938.

De volta aos Estados Unidos, o próprio Wilson admitiu aos amigos que a situação na Rússia era pior que na época do Czar.  Mas, a época era da depressão econômica e ele precisava de dinheiro. Wilson sabia que tinha um público cativo de seguidores que certamente comprariam o seu livro. Por que jogar fora um manuscrito no qual já havia investido tantas horas? A fim de apaziguar a própria consciência, Wilson eliminou do seu manuscrito um capítulo sobre Stalin e concluiu a narrativa com a chegada de Lênin e dos revolucionários exilados na Estação Finlândia de São Petersburgo. E foi assim que Wilson resolveu intitular o seu livro Rumo à Estação Finlândia .

Na ocasião da publicação de Rumo à Estação Finlândia uma das mais contundentes críticas recebidas foi sobre o fato dele ter feito uma descrição humanitária e benevolente de Lênin, o que resultou da sua falha em consultar a principal biografia de Lênin, de Mark Landau Aldanov, cuja tradução inglesa havia sido publicada em 1922.

Novas edições do livro Rumo à Estação Finlândia foram lançadas, e o livro foi traduzido para diversas línguas. Apenas na edição de 1971 é que Wilson, já com seus 76 anos, escreveu uma nova introdução ao livro, admitindo ter errado no seu julgamento da Revolução Russa e do regime por esta implantada, e, que o livro representa a sua maneira de pensar na ocasião que o escreveu.

A decisão de Wilson de publicar Rumo à Estação Finlândia foi desonesta e baseada no desejo de ganhar dinheiro.  E, as elevadas credenciais do autor são agravantes da falta moral cometida.  O erro admitido no prefácio da edição de 1971 não bastou para remover a mancha da sua desonra, pois, veio tarde demais para conter os estragos da disseminação da ideologia marxista.

No Brasil, assim como em todos os países da América Latica e quiçá da África, a ideologia marxista foi nutrida por intelectuais como Edmund Wilson. Rumo à Estação Finlândia é um dos livros de cabeceira de muitos indivíduos de inclinação marxista de todo o mundo. Será que esses indivíduos conhecem a retratação feita por Wilson no prefácio da edição de 1971?


Jo Pires-O’Brien é a editora de PortVitoria: www.portvitoria.com –  revista eletrônica dedicada às comunidades falantes de português e espanhol de todo o mundo.

Doutrinação e radicalização

Jo Pires-O’Brien

Doutrinação é fazer a cabeça de alguém acerca de qualquer coisa. Radicalização é fazer a cabeça de alguém uma forma tal que o indivíduo radicalizado abre mão dos valores recebidos de sua família e sua sociedade e aceita valores estranhos incompatíveis com os mesmos, como a permissão para cometer crimes. Outra diferença crucial entre doutrinação e radicalização é que a doutrinação não requer a presença física de um doutrinador, podendo ocorrer através da imitação de outros ou de leituras, enquanto a radicalização requer uma relação direta com um radicalizador.

Todo ser humano possui uma predisposição ao gregarismo. Os jovens costumam ter problemas de inserção social, e embora tais problemas, em geral, se devem ao fato de ainda não terem vivido o tempo necessário para mostrar ao mundo quem são e assim ganhar o respeito da sociedade, eles acabam se tornando vítimas fáceis dos radicalizadores.

A inteligência emocional pouco desenvolvida é uma limitação que dificulta os relacionamentos dentro da família e no ambiente de trabalho. Entretanto, à medida que as pessoas amadurecem, elas aprendem a se conhecer melhor e a aceitar as suas limitações. Adultos normais sabem reconhecer a sensação de não pertencer e aprendem a lidar com a mesma, mas os jovens, em geral, não sabem lidar com tal sensação, e acabam tomando decisões precipitadas na expectativa de resolver o problema. O que acontece com os jovens é a aceitação de uma identidade do tipo ‘aqui e agora’, baseada no ‘nós e eles’, isto é, em amigos e inimigos. A identidade do tipo ‘aqui e agora’ atrapalha a identidade orgânica, aquela que se desenvolve gradativamente durante o crescimento moral e intelectual do indivíduo.

A identidade é a moeda dos radicalizadores, que se aproveitam das incapacidades dos jovens de lidar com suas carências identitárias e de inserção social. Tal identidade vem sob a forma de afiliação a um determinado grupo. O grupo tem um enorme efeito psicológico no processo de radicalização. Mais de 80% daqueles que participam de redes de radicalização islâmicas o fazem através de amigos e em grupos.

As doutrinações e as radicalizações são motivadas pelo ódio ao inimigo comum. A radicalismo de Esquerda prega o ódio ao capitalismo e ao liberalismo e o radicalismo islâmico prega o ódio aos Estados Unidos em particular e ao Ocidente, em geral, e ao seu estilo de vida secular e liberal. Esse ódio tanto pode vir de fora do Ocidente quanto de dentro. Enquanto o ódio de Bin Laden veio de fora do Ocidente, o ódio dos terroristas suicidas do 9/11 foi fermentado dentro do Ocidente, com grupos terroristas políticos e organizações de esquerda.

O ódio dá motivo às doutrinações e radicalizações, mas o objetivo dessas é sempre o poder. A extrema Esquerda internacional é uma rede global de grupos de poder cujo objetivo é ganhar mais poder. O radicalismo islâmico é também uma rede de grupos de poder, e o seu objetivo é dominar o mundo através da reconquista de todos os territórios que já pertenceram à teocracia islâmica, os quais incluem o sul da Espanha e de Portugal, a região do Cáucaso da Europa, Filipinas, Ásia Central, Índia, e norte da África.

Finalizando, é bom lembrar que toda radicalização é truculenta, pois, envolve um radicalizador tarimbado e um radicalizado emocionalmente inepto e ressentido com a sociedade. A radicalização islâmica no Ocidente é ainda mais truculenta, pois, envolve persuadir mentes jovens que vivem em meio a elevados valores de individualidade e liberdade a que renunciem a esses valores em troca de uma identidade instantânea, mas cheia de efeitos indesejáveis.


Jo Pires-O’Brien é editora da revista PortVitoria da comunidade ibero-americana no mundo.

Recessões e surtos de socialismo

Jo Pires-O’Brien

Desde a Grande Depressão que se instalou nos Estados Unidos e no mundo após a Sexta-Feira Negra de novembro de 1929, todas as recessões econômicas provocaram surtos de socialismo nos países de economia capitalista. A recessão econômica de 2008 nos Estados Unidos não foi diferente. Uma ação típica do socialismo foi a intervenção governamental para salvar os bancos em dificuldades financeiras. As normas de mercado que regem o capitalismo apontam outro tipo de ação, no caso, deixar que os bancos solucionem eles próprios seus problemas, o que os torna mais resilientes a ameaças futuras similares.

A mesma recessão econômica de 2008 nos Estados Unidos chegou à Europa e América Latina em 2009, onde também desencadeou surtos de socialismo. Na Europa, os cidadãos dos países cujas economias mais encolheram, como a Grécia, Espanha, França e Itália, continuaram esperando o mesmo nível de assistência social da época favorável, dificultando a implementação de medidas econômicas de prazo mais longo. A recessão econômica na América Latina é possivelmente a mais terrível do mundo. Só quem ganhou com ela foram os partidos de esquerda como o Partido dos Trabalhadores do Brasil, que prometeu manter os programas de assistência social criados durante o boom dos primeiros anos do século XXI.

Em 4 de julho de 2012, Stuart Jeffries escreveu na versão online do jornal de esquerda britânico The Guardian um artigo intitulado ‘Why Marxism is on the rise again’ (Porque o Marxismo está subindo de novo). Jeffries chama a atenção para o fato de que os jovens são os mais interessados no renascer do Marxismo. O apelo socialista não se restringe aos partidos socialistas. O atual líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, escolhido em setembro de 2015, é um defensor aberto do socialismo. Corbyn foi citado nesse mesmo ano pelo jornal inglês The Mirror como tendo afirmado que o socialismo ‘é uma maneira óbvia de viver. As pessoas cuidam uns dos outros, todo mundo é cuidado, e todos cuidam de todos. Óbvio não?’ (… ‘is an obvious way of living. You care for each other, you care for everybody, and everybody cares for everyone else. It’s obvious, isn’t it?’)

Os especialistas creem que a economia global se encontra numa encruzilhada que tanto pode levar ao retorno do crescimento quanto a mais recessão. A melhor alternativa prevê um crescimento continuado, porém pequeno, pelo menos no tocante aos próximos anos. Entretanto, o motor desse crescimento não é a besta do socialismo e sim a besta do livre mercado.

***Joaquina Pires-O’Brien é uma brasileira de Vitória residente na Inglaterra, de onde edita a revista eletrônica PortVitoria (www.portvitoria.com) de atualidades, cultura e política, e, centrada na cultura ibérica e sua diáspora no mundo. PortVitoria é estruturada em inglês, mas os seus artigos e saem em inglês, português e/ou espanhol.

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A massa e a democracia

Jo Pires-O’Brien

O fato da democracia ser o governo do povo leva uma boa parte das pessoas a crer que a massa e a democracia andam de mãos dadas. Entretanto, a massa nada mais é do que uma facção poderosa da população com um tremendo potencial de abusar minorias. O abuso de um único indivíduo é uma violação do princípio de que a democracia não é um fim, mas um meio para a liberdade. Nesse papel a democracia apoia-se no Estado de Direito, a estrutura legal garantidora dos direitos, que evolveu a partir do Iluminismo, e que pressupõe a ausência de privilégios. Portanto, o Estado de Direito não inclui todas as leis de um determinado Estado, mas apenas aquelas que concernem a todos.

O crescimento da população do mundo veio acompanhado do crescimento das massas, um dos mais sérios problemas da atualidade. Dois pensadores e críticos sociais que estudaram o fenômeno das massas a partir da segunda década do século vinte foram o búlgaro naturalizado britânico Elias Canetti (1905-94) e o espanhol José de Ortega y Gasset (1883-1955). Canetti procurou entender a psicologia do comportamento humano formador da massa, e  Ortega y Gasset concentrou-se mais nos efeitos deletérios que as massas podem causar nas democracias.

No seu livro A rebelião das massas, publicado em 1929, Ortega retrata as grandes transformações do século XX, especialmente na Europa, com ênfase no processo histórico de crescimento das massas urbanas. Para Ortega até a virada do século XX a estratificação social era ligada às classes econômicas, mas a partir de então surgiu uma nova estratificação social onde a sociedade passou a ser dividida entre massas e minorias. Ortega notou ainda que as massas caracterizavam-se pela dominância social, muitas vezes com o uso da força bruta contra os indivíduos não participantes. A nova estratificação social formada pelas massas e pela minoria resultava invariavelmente numa batalha entre esses dois estratos. Ortega notou que a democracia da década de vinte na Espanha era diferente da democracia do Estado de Direito, pois as massas impunham as suas aspirações e desejos agindo diretamente, isto é, fora do Estado de Direito. Tal hegemonia das massas não poderia caracterizar a democracia saudável e sim a democracia doente, que ele designou de hiperdemocracia.

Cannetti também impressionou-se com o fenômeno das massas, ocorrido no início do século vinte, mas as suas observações se estenderam por diversas décadas. O seu livro Masse und Macht foi publicado em 1960, sendo que a tradução inglesa saiu pouco depois, em 1962. A versão em português, intitulada Massa e poder, foi publicada em 1983 pela Editora UnB e em 1995 pela Companhia das Letras. O que é interessante em Canetti é o modo como ele busca inspiração na química para explicar fenômenos sociais. Canetti reconhece dois tipos de massas humanas, as fechadas e as abertas, caracterizadas pelo baixo e alto nível de interação com o ambiente, respectivamente. Enquanto as massas fechadas são necessárias para o equilíbrio social, as massas abertas são sintomáticas de um desequilíbrio. O Tratado de Versalhes impôs à Alemanha derrotada na Primeira Guerra Mundial uma série de punições incluindo a proibição da formação de um exército. Tal proibição, segundo Canetti, privou os alemães da sua massa fechada mais essencial, possibilitando a ascensão do partido nazista. Nessa conjuntura, Hitler mostrou aos alemães que a proibição do exército era uma afronta que equivalia à proibição da fé religiosa. Para Canetti, quando uma massa fechada é dissolvida, ela se transforma numa massa aberta com as mesmas características, mas bem maior.

A ameaça das massas no século XXI é ainda maior do que foi no século XX. A solução para o combate dessa ameaça é a educação, incluindo a educação acerca do verdadeiro significado da democracia. Massa não é democracia e democracia não é a multiplicação de opiniões ignorantes. Alexis de Tocqueville reconheceu isso há quase duzentos anos, quando escreveu: “A tirania da maioria não requer conhecimentos, boa educação, deliberações razoáveis, autoridade e experiência e nenhuma das coisas que o populista chama de ‘elitismo’”.

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Gulag – Museu do comunismo mundial

Jo Pires-O’Brien

O Museu Gulag é um registro da extensa rede de prisões descritas pelo escritor soviético Alexander Solzhenitsyn. Para escrever O Arquipélago Gulag, Solzhenitsyn juntou à sua própria experiência as informações obtidas de inúmeros depoimentos de prisioneiros e outras narrativas.

O museu mostra também exibições especiais e nacionais.

Exibições Especiais:
The War on Religion
Post-Communist Economics
The Great Terror at 40
Communism in China
Chinese Persecution of Uyghurs
The Afghan People vs Communism
You Won the Cold War

Exibições Nacionais:
Bulgaria
China
Cuba – http://cuba.globalmuseumoncommunism.org/
Czechoslovakia
Estonia
Germany
Hungary
Latvia
Lithuania
North Korea [coming soon]
Poland
Romania
Soviet Union
Tibet
Ukraine
Vietmam
Coloquei o link de Cuba pois é o único país comunista das Américas.

O mapa do comunismo
O museu virtual mostra um mapa mundial que mostra os países que viveram regimes comunistas. Embora Cuba seja o único país que consta no mapa das Américas, o comunismo agiu no nosso continente através de uma extensa rede de correlegionários da Esquerda. Quem sabe um dia saberemos mais sobre os efeitos dessa rede.

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Guerrilhas no terceiro mundo: as zonas quentes da Guerra Fria

Simon Heffer  – Traduzida do inglês por Jo Pires-O’Brien

Resenha do livro Small wars, far away places: the genesis of the Modern World – 1945-65 de Michael Burleigh. Macmillian. 588pp. £25. ISBN 978-0-230-75232-0

Pelas suas características os vinte anos após o final da Segunda Guerra Mundial foram tão aterrorizantes quanto o próprio conflito. O período representou uma ameaça equivalente à ordem mundial: a derrota do fascismo foi seguida da ascensão do comunismo. O período viu também uma mudança do poder global, da Europa, onde ele historicamente residia, para a América. Até os anos sessenta os americanos estabeleceram uma hegemonia rivalizada apenas pela União Soviética – que ainda estava a uma boa distância atrás. A Grã-Bretanha, o grande poder da era pré-guerra, estava arruinada, mas compreendia apenas gradualmente a sua impotência. Dentro de poucos meses a partir do final da Segunda Guerra Mundial, a Guerra Fria começou. O monopólio da América sobre a contenda nuclear durou pouco tempo, pois, em 1949 os espiões deram aos soviéticos os segredos necessários para a confecção de sua própria bomba. Com as nações da Europa determinadas a não voltar a fazer guerra umas com as outras, a nova superpotência e o seu inimigo procuraram lutar alternativamente através de agentes no Oriente, na África e no Caribe. Essas são as histórias, dentre outras, que Michael Burleigh relata nesta magnífica, bem-informada, penetrante e muitas vezes espirituosa narrativa dos conflitos ocorridos entre 1945 e 1965.

Burleigh não tenta abarcar o mundo inteiro, mas escolhe os episódios onde tem um interesse especial, que ilustram o tema primordial desta obra: como a América se transformou, na altura do término do mandato presidencial de Eisenhower, naquilo que em 1066 and All That [Título de uma história satírica da Inglaterra publicada na década de 1930 e serializada na revista Punch! N.T.] ficou conhecido como ‘Top Nation’ (a Nação Manda-Chuva). Isso foi a culminação da política de Woodrow Wilson que sustentou a abordagem norte-americana adotada na conferência de Versalhes de 1919: a destruição do poder imperial europeu. Os Habsburgos, os Hohenzollernes e os Ottomanos haviam todos desaparecido; a questão não-resolvida era o Império Britânico, que provou ser insustentável após 1945. Conforme Burleigh registra, a partir do momento em que entraram na Segunda Guerra Mundial em Dezembro de 1941, os americanos deixaram bastante claro que os seus objetivos não incluíam a salvação nem a prorrogação do Império Britânico. E, mesmo antes da independência da Índia em 1947, a América já estava se portando como se não estivesse disposta a tolerar as dissensões do mundo, estendendo o seu alcance tanto aos seus aliados quanto aos seus clientes. Isso ocorreu em parte porque a América se viu como a principal barreira natural contra a disseminação do comunismo, e em parte porque havia se acostumado, desde a época de Wilson, a aspirar o posto de manda-chuva. A arrogância que esta mentalidade criou foi muito bem ilustrada por Burleigh, quando a América interveio nas Filipinas, em Cuba e no Vietnã com resultados cada vez piores.

A abdicação britânica do poder é mostrada como um resultado direto de estar falida. Antes de 1947, o país já havia indicado ao seu principal aliado que, já não dava conta de exercer o papel dele esperado no Oriente Médio. O país já havia estado ansioso para sair da Palestina o mais depressa possível, mas tal lição parece que foi esquecida pelo governo Conservador dos anos cinquenta, que retornou à região com desastrosas consequências. Burleigh muito corretamente descreve o fiasco de Suez de novembro de 1956 como o momento em que a realidade tomou conta da Grã-Bretanha e os seus dirigentes finalmente entenderam que seu país havia se tornado um jogador de menor importância. As suas tentativas de combater a insurgência malaia conteve a maré por algum tempo, mas logo os agricultores brancos foram escorraçados para costas mais seguras. A manutenção das colônias africanas só foi possível com base na brutalidade racista, como o campo Hola no Quênia, onde em 1959 os guardas espancaram até a morte os ‘Mau Mau’ detidos, fato que antecedeu em alguns meses o discurso dos ‘ventos de mudança’ de Macmillan.

A Grã-Bretanha não foi, entretanto, o único império a se desmantelar durante esses anos. A mesma coisa ocorreu com a França, primeiramente na Indochina, ao enfrentar comunistas que tinham o apoio chinês, e depois na Argélia contra os nacionalistas. Apenas de Gaulle, o último homem que entregou um centímetro quadrado do território francês, enxergou a impossibilidade de manter a presença do seu país no Norte da África. Através de ambiguidade, duplicidade e da patente traição dos seus princípios – e os dos Harkis, que haviam servido lealmente a França – ele livrou o seu país de um banho de sangue. A Argélia, como tantas das velhas colônias britânicas, continuou a se brutalizar durante décadas, mas pelo menos a França podia lavar as suas mãos sobre isso. Mais ao sul na África, os belgas e os portugueses eram igualmente brutais e ineptos, especialmente na sua propensão para permitir que a influência soviética se espalhasse por toda a África através de organizações que promoviam guerrilhas Marxistas, frequentemente com resultados pouco esclarecedores.

A América beneficiou-se desta hemorragia do poder europeu ainda mais do que a União Soviética. Embora o seu relacionamento com os países europeus individuais não fosse exatamente do tipo senhor e servo – pelo menos até os dias de Tony Blair, o crescimento do poderio americano, quando as últimas colônias europeias estavam sendo desativadas, lembrou a todos os interessados quem eram os verdadeiros senhores. Junto com esta sensibilidade veio uma infeliz arrogância. Burleigh é particularmente contundente nas suas descrições comparativas de Eisenhower e Kennedy, o seu sucessor: o primeiro, um homem de enorme experiência de comando e sem nenhum desejo de aparecer, e o segundo, um constructo do seu pavoroso pai, cuja entrada na política foi comprada com o dinheiro da família. Eisenhower é mostrado como um homem que moveu-se devagar e com sabedoria durante o período em que a América construía o seu poder nos anos cinquenta. Ele nunca perdeu a perspicácia de soldado sobre quais as guerras que poderiam ser ganhas, e portanto, enfrentadas com segurança. Ele também tinha pragmatismo para entender que a Grã-Bretanha estava posando (com Churchill como ‘posador’-em-chefe) nos anos cinquenta, apresentando-se como um poder mundial mesmo quando tal ilusão já se havia desvanecido, afirmando que a Grã-Bretanha merecia um lugar ‘especial’ nas relações internacionais com a América. Ike tinha uma atitude não-sentimental e apropriadamente rejeitou a noção, quase com um tom de pena.

Burleigh é um escritor bom e conciso, mas em nenhuma outra parte deste livro ele se excede mais do que na sua resumida descrição de Kennedy, como um ralo da moralidade, incapaz de levar qualquer coisa a sério afora a mulher que ele estivesse perseguindo na ocasião. Juntamente com o seu desagradável irmão Bobby, assassinado cinco anos depois dele, Kennedy meteu os pés pelas mãos no fiasco da Baía dos Porcos e só saiu intacto da Crise dos Mísseis Cubanos devido ao fortuito acidente da incompetência de Khrushchev e ao difícil relacionamento que o líder soviético tinha com Fidel Castro. Porém, foi Lyndon Johnson quem perpetrou a pior mancada da arrogância americana, com o seu pesado compromisso em termos de envio de tropas ao Vietnã. Harry Truman, que ainda estava vivo na ocasião, poderia ter-lhe advertido enfaticamente sobre as dores de cabeça que a Guerra da Coreia lhe haviam dado, e o alívio depois que a América conseguiu se safar. Mas, Johnson acreditava na divina missão da América de lutar contra a ameaça comunista, e nunca imaginou que o seu país sofreria a humilhação que os franceses amargaram na década anterior, com a chocante derrota em Dien Bien Phu em 1954. O excepcional livro de Michael Burleigh termina antes do Vietnã virar o cemitério moral e literal da América: isso é no mínimo um bom motivo para esperar um volume sequente para ler a sua interpretação sobre como tal estória se desenrolou.
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Simon Heffer é um jornalista, escritor e editor britânico. O seu próximo livro High Minds, sobre a história intelectual e social da Grã-Bretanha do meio do século XIX será publicado pela editora Random House no final deste ano.

Tradução: J Pires-O’Brien; Revisão: C Pires

Esta resenha saiu em inglês na revista Literary Review, edição de Maio de 2013. Com autorização desta, foi republicado em português na revista PortVitoria:
http://www.portvitoria.com/

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